sexta-feira, 4 de junho de 2010

2º Dia – Livro que mais odiei.



Desde que li sobre o Desafio minha mente já estava trabalhando para descobrir que livro eu mais odiei. Pois eu me considero uma pessoa bastante crítica em relação a livros. Por exemplo, antes de comprar um livro ou ler um e-book, eu sempre leio o final. Se eu gostar, começo a ler, e se eu não gostar, nem me dou ao trabalho. Afinal para que ler um livro onde eu sei que o final não é bom? E não falo de finais felizes, pois eu particularmente não torço pelos finais felizes, deve ser a parte mórbida do meu ser se sobressaindo. O fato de todo esse blábláblá é que são muitos os livros que odeio. De início pensei em falar sobre os livros de Paulo Coelho, tanto que Onze Minutos logo surgiu na minha mente, mas, como não cheguei a terminar nenhum dele, achei melhor optar por um que li até o final e não encontrei nada que valesse a pena.

Por isso decidi falar de Para Sempre – Os Imortais, um livro que ganhei de presente num amigo secreto de Natal. Quando vi que tinha sido lançado logo me veio na mente: ‘É mais um livro de vampiros’. Porém, na medida em que fui lendo, notei que não era só mais um livro de vampiros. Ao que parece a autora, Alyson Noël, decidiu optar pela junção de vários plágios e pegar o bonde chamado Twilight (apesar de que ela não foi a única a fazer isso, verdade?). Personagens que definitivamente não conseguiram me cativar, imortalidade dos vampiros e, até mesmo, uma cicatriz na testa – isso lembra alguém, não é? Pois é, até Harry Potter não conseguiu escapar desse plágio -, tudo isso contribuiu para a história ficar cheia de mistérios que não chamam atenção.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

1º Dia – Livro que mais gostei.

Por um segundo eu pensei: ‘Ai, mas eu gostei de tantos livros’. Porém, no segundo seguinte eu tive a certeza de qual livro eu havia gostado mais. Talvez seja pelo fato de que esse livro foi uma das minhas grandes paixões. Eu fui uma de suas leitoras ávidas, que a partir do momento em que saí da livraria com ele nas mãos já queria devorá-lo. E de fato assim que entrei no meu quarto o devorei. Creio que minha família imaginou que eu tinha virado um zumbi, pois em apenas dois dias eu li em torno de 1000 páginas.

A trilogia de O Senhor dos Anéis, que se divide em três livros – A sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei -, me inspirou de várias maneiras. Sempre tive uma leve mania de imaginar as coisas na mente, mas com a história de Tolkien minha imaginação ficou a mil por hora. Cada linha do livro ou cada ação e fala das personagens eu imaginava na minha mente, embarcava numa época totalmente diferente da minha e, principalmente, não condizente com meu mundo. Estava simplesmente maravilhada com a narrativa, as seqüências dos fatos e as reviravoltas dos acontecimentos. Tinha momentos em que prendia a respiração e não conseguia pensar numa forma dos mocinhos livrarem a Terra Média daquela tragédia toda.

Acho que O Senhor dos Anéis me ajudou a ter outra visão, a sonhar e, inclusive, a ler mais. Deus sabe como eu tentei ler outras trilogias, sagas, séries ou sei lá, procurando encontrar um pouco da magia que encontrei com Tolkien. Mas a verdade é que ficou bastante difícil. Claro que não vou generalizar, pois com certeza eu gostei de muitos outros livros. Mas O Senhor dos Anéis foi marcante na minha trajetória.

Dez livros em dez dias.


Então, eu não queria participar de mais nenhum desafio - tenho dois desafios pendentes e sinto que se entrar em mais algum, me atolarei na merda -, porém a Ana me mostrou esse desafio, "Dez Livros em Dez Dias". Ela o viu no blog de uma outra menina - Luana, blog Partes de Um Diário - e, blábláblá para lá e para cá, decidi participar. Bom, isso já tem alguns dias. Mas fazer o que se a preguiça me domina por alguns bons dias, né? A verdade é que não teria aceitado o desafio se ele consistisse em ler dez livros em dez dias. Mas como não é, cá estou eu pensando e pensando em cada livro que já li que se encaixe em cada dia.


1º dia: Livro que mais gostou.

2º dia: Livro que mais odiou.

3º dia: Livro mais barato que comprou.

4º dia: Livro mais caro que você comprou.

5º dia: Livro que mais te fez ter atenção nele.

6º dia: Livro que menos te fez ter atenção nele.

7º dia: Livro que você mais recomenda.

8º dia: Livro que você menos recomenda.

9º dia: Série que você mais gosta.

10º dia: Livro mais velho que você tem ou leu.

Lá vou eu. *-*

domingo, 23 de maio de 2010

Eu não sei na verdade quem eu sou.


Anos atrás, quando eu era apenas um moleque bagunceiro, meu pai me levou a um circo. Resmunguei, pois achava que era uma besteira. Porém, quando avistei aquele mundo tão mágico e tão colorido por fora, meus olhos brilharam de satisfação. E, apesar de tentar dar continuidade com a cara feia e fechada, a cada palhaço que via meus lábios puxavam um pequeno sorriso. Naquela época pensei que havia enganado papai direitinho, mas agora vejo que ele apenas me deixou enganar a mim mesmo.

É lembrando desses momentos que uma gargalhada me escapa. Meu pai e eu não costumávamos nos dar bem. Até hoje não sei se foi pelo fato de minha mãe me abandonar ou se por termos personalidades tão parecidas. Só sei que visualizo minha infância e adolescência atrás de momentos mágicos como o do circo, mas são tão raros que na maior parte das vezes uma lembrança negra nubla minha visão. É incrível o modo como amadurecemos e percebemos quanto tempo desperdiçamos com besteiras e rancores. O ódio é um sentimento traiçoeiro para uma pessoa.

Eu cresci e, por uma peça empregada pelo destino, descobri que meu pai tinha razão. Ele costumava me dizer que eu tinha o dom da música no sangue. Eu costumava debochar, ter raiva. A cada vez que ele saía em direção ao palco, eu repudiava mais e mais esse dom. Eu sentia inveja, um ciúme doentio. E não fazia ideia de como estava enganado. Acho que só me dei conta disso quando fiquei órfão. Quando comecei a olhar para frente e trilhar meu próprio caminho.

Foi por um acaso que me deparei novamente com a música. Numa noite quente de verão saí para dar um passeio na praia. Tinha dezessete anos e morava com o meu padrinho, um violinista aposentado, numa cidade praieira do interior da Califórnia. Por isso tinha o costume de caminhar na praia sob a luz as estrelas. Naquela noite em particular conheci a Melissa. Ela estava em pé na beira d’água, os cabelos loiros voavam por seu rosto corado. E sob a escassa luz da Lua, eu vi o quanto ela era bela. Sentei-me na areia e fiquei a observá-la, não demorou muito e ela se virou com seus olhos a procura de algo, como se sentisse que a estavam observando. Quando me achou, ficou me encarando. Nós não nos falamos. E eu nem tinha ideia do quanto estava próximo de descobrir na verdade quem eu iria ser.

No dia seguinte descobri que um circo visitava a cidade com seu novo espetáculo. A nostalgia me dominou e me forçou a ir conferir. O espetáculo foi maravilhoso, mas não estava preparado para o final. Era Melissa, foi assim que descobri seu nome. Vestida de azul claro, a loira fez o que todos menos esperavam, cantou. Sua voz era suave e despertava todos os meus sentidos. No final da canção estava completamente entorpecido. Naquela noite, após a canção, nos falamos.

O circo ficou na cidade durante uma semana, e todos os dias eu fazia questão de vê-la. Melissa tinha uma personalidade calma, mas também com ideais fortes. Ela lutava junto com sua família para manter o circo, a arte que eles criavam. Eu me senti atraído por essa causa. E a cada dia que passava nos ligávamos mais, passávamos horas e mais horas juntos. Tanto que foi natural o primeiro beijo acontecer e logo depois outro e mais outro. Fui descobrindo o significado da vida e do amor ao lado dela, tudo isso em sete dias. O amor consegue transformar o pouco tempo em uma vida inteira.

Na última noite dela, nós nos amamos na praia, na beira d’água. Quando voltei para casa, me sentia perdido, sem chão. Perderia o que mais significou para mim. Ela iria embora e eu não podia pedir para que ficasse. O circo era o seu lar, sua família, seu sangue. E perdido em lágrimas e pensamentos, adormeci. O sono foi agitado e o sonho o invadiu. Era meu pai, era sua música, era o circo, era o sangue. Eu tinha o dom da música no sangue. E foi assim que descobri na verdade quem eu sou. Um artista.

A minha sina de não querer ser igual ao meu pai saiu justamente ao contrário. Pois agora sou um músico, um músico circense. O espetáculo nasceu como num passe de mágica, e se transformou em sucesso absoluto. A beleza da música, da arte me fez enxergar o mundo, a vida e a felicidade. A arte me fez ser maior. Ela me tornou um homem, um profissional, um marido e daqui a alguns dias me tornará em um pai. Só espero poder dar o melhor pai para o meu filho, assim como o meu me deu.

sábado, 22 de maio de 2010

O Poeta Ridículo.

Certa vez Fernando Pessoa disse que toda carta de amor é ridícula, se não for ridícula não é uma carta de amor. Bem, não é que ele tinha razão?! O amor é ridículo. Os amantes são bregas. E os humanos são movidos por esse sentimento. É de onde tiram a força para sobreviver, permanecer e existir. É de onde se assemelham uns aos outros, compartilham momentos. É quando a troca de olhares intensos ocorre.

Era nisso que Bianca pensava quando seus olhos se depararam com Caio. Ela voltava da aula caminhando tranquilamente pelo parque que separava sua escola de casa. Bianca ainda era jovem, mal havia terminado a universidade, mas se sentia com uma idade imensa diante de seus alunos, principalmente diante de Caio. Não é que ele fosse infantil, pois passando longe disso ele era um rapaz doce, quieto e brilhante. E toda vez que Bianca o olhava, sentia uma força dominá-la. Ele era tão jovem e ao mesmo tempo adulto, todavia aquele olhar inocente sempre estava presente. Difícil de admitir, mas ela era uma fraca. Deixava, desesperadamente, se dominar por sentimentos e fantasias. Desde pequena as criava e, dessa vez, seu protagonista era Caio.

Ainda se lembrava do primeiro dia de aula quando Caio entrou na sala atrasado, os fios lisos e castanhos caindo no rosto maculado, que estava levemente corado pela correria; a respiração ofegante e a farda desmantelada cobrindo o corpo atlético. Naquele momento, Bianca sentiu vergonha de si mesma. Sempre fora séria e direita, mas reagira de maneira tão antiética que se sentira perdida. E depois daquele dia, Caio sempre passeava por sua mente. Ela, obviamente, jamais demonstrava qualquer encanto por aquele menino.

Um mês depois e a complicação estava feita. Caio era um aluno dedicado e cheio de fome por conhecimento literário. O carma estava posto, uma professora de literatura sentir atração justamente por seu melhor aluno. Em sua vontade de aprender, Caio sempre criava situações constrangedoras. Não importava aonde, parecia que ela sempre terminava sozinha com ele. Fosse na sala, na biblioteca ou até mesmo no parque, os dois sempre acabavam a sós. E então o inevitável aconteceu, Caio se apaixonara por sua professora. Aquela delicada mulher de cabelos misteriosos – às vezes avermelhados às vezes castanhos – que davam a perfeita combinação com os olhos verdes enigmáticos. Diante disso não restou nada que o impedisse de se oferecer para acompanhá-la até em casa. Ou até mesmo quando subiram os degraus que davam a porta, nada o impediu de segurar e acariciar timidamente as maçãs, rosadas por conta do frio, da face dela. E em poucos segundos, selar seus lábios. E ambos se perderam naquele momento doce. Pelo menos até Bianca se dar conta da besteira que fazia e mandá-lo embora.

A partir daquele momento a aparente amizade que eles tinham, sumiu. Nada de momentos exclusivos. Viam-se na sala e ponto final. Mesmo que Caio insistisse de todos os modos e jeitos, Bianca não cedeu. E fraca do jeito que era se escondeu na sombra de Thiago, o novo professor substituto de física. Thiago era gentil e bonito, mostrava-se carinhoso com ela. Por isso, ela resolveu aceitar suas investidas e, alguns dias depois, cometeu um ato impensado, aceitou o pedido de namoro dele. Meses depois, aceitou o pedido de casamento. Pensava ter encontrado a felicidade.

As aulas estavam terminando e a sala de Caio, por estar no último ano, decidiu fazer uma grande festa para os alunos e professores. Utilizaram a quadra esportiva da escola. No meio da festa, que estava animada com música, comida e bebida, Bianca deu por falta de Thiago e de Caio. Olhou para todos os lados, mas nem sinal de qualquer um dos dois. Levantou-se do local que estava e saiu pelos corredores à procura. Logo os gritos chegaram aos seus ouvidos. Seus olhos deram imagem ao barulho do corpo de Caio indo fortemente de encontro ao metal dos armários. Exclamou chocada, atraindo a atenção dos dois. Gritos rolaram, lágrimas foram derramadas, relacionamentos foram finalizados e paixões foram descobertas. Thiago feriu-a com a pior arma que existe, a palavra. Ela tentou negar tudo, ferindo assim Caio. No final, os três formavam uma cadeia onde Bianca era o centro, onde ela tinha o poder sobre eles. E ela acabou ferindo ambos e a si mesma.

Dias depois, final do ano letivo, Thiago fora embora sem se quer perdoá-la. Bianca, que ao terminar a última aula sem a presença de Caio, fazia o caminho pelo parque. E lá estava ele, esperando-a. Uma chama de esperança acendeu dentro de si. Ela se aproximou, enquanto ele continuava parado fitando-a. O vento frio balançava os cabelos desordenadamente. Caio não falou ou esboçou qualquer reação, apenas pegou um envelope de dentro do casaco e o entregou. Então, após soltar um suspiro profundo, virou-se e partiu. Bianca sentou-se e deu início a leitura da carta.

Abra todas as janelas que encontrar e as portas também. Persiga um sonho, mas não o deixe viver sozinho. Alimente a sua alma com amor, cure as suas feridas com carinho. Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre o fim de uma história, seja ela qual for. Dê um sorriso a quem se esqueceu como se faz. Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles o consumam. Olhe para o lado, alguém precisa de si. Abasteça o seu coração de fé, não a perca nunca. Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também. Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura. Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague o seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-as. Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o!
(Fernando Pessoa)


Lágrimas rolavam em sua face. Eram de dor e arrependimento. Eram de um amor perdido. Olhou para trás e encontrou a figura afastada de Caio olhando-a. Bianca sabia o que ele esperava. Ela balançou a cabeça negativamente e viu como ele voltava a se afastar. Olhou-o até que simplesmente desapareceu. E soube que, no final, o poeta realmente tinha razão. O amor era ridículo. Porém, real. Bianca descobriu que desejava ter tido um amor. Ter tido aquele amor, o de Caio. Também descobriu que arrependimento é real, e mata. Aos poucos foi matando-a...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Rio sem medida.

A noite estava quente. Bastante quente na concepção de Érica, que estava abrindo a porta de seu apartamento. O dia fora cansativo demais. Doenças, cortes de faca, balas alojadas em alguns órgãos do corpo humano. Os dias de plantões eram sempre tumultuados, mas, quando dava a hora, Érica trocava de roupa e voltava para casa, a adrenalina e a energia ainda corriam por dentro. Queria mais, queria ficar esgotada até cair pesada na cama e apagar sem sentir mais nada. E era aí que Pablo entrava na história.

Pablo. O adorável e tímido vizinho de Érica. Que sempre vestia terno e gravata. Que trabalhava para uma multinacional milionária. Que nunca lhe dirigira mais do que um ‘oi’. Que era politicamente correto. Até um mês atrás, quando ela escorregara e torcera a perna. O grito de Érica acordou-o em um susto. E nada mais restou a ele do que ir socorrê-la. Não foi uma cena muito gloriosa para Érica. Sentada no chão, chorando de dor e vestida apenas de calcinha e blusão. Se ao menos a calcinha não fosse de vovó e o blusão não fosse do Mickey e sujo de molho, ela poderia ter salvado algo. Érica tinha certeza de que as chances haviam se evaporado.

No dia seguinte, quando Érica se esforçava para achar as chaves de casa perdidas na imensidão de sua bolsa, Pablo saiu do elevador. Ele pensou em simplesmente dar o monótono ‘oi’ e entrar, mas ao vê-la tão atrapalhada em uma tarefa tão prática, sorriu. Não era novidade para si que se sentia atraído por ela desde que se mudara. Ela era linda e absurdamente sedutora com suas calças apertadas e seus blusões alguns bons números maiores. Ou, o contrário, calças bastante parecidas como as do Aladim e blusas modeladas ao seu corpo.

Pablo simplesmente lhe perguntou se precisava de ajuda. Érica negou-lhe, dizendo que não queria abusar muito. Pablo foi insistente e lhe concedeu uma mão a mais na busca das chaves perdidas. Érica lhe sorriu encantadoramente. Pablo encontrou as chaves. Érica convidou-lhe a entrar. Foi a vez de Pablo não querer abusar. Então Érica se tornou a insistente. Os dois entraram e se sentiram constrangidos, mas não por muito tempo.

Após uma pizza apimentada, um bom vinho do porto, algumas risadas e cantadas, Érica e Pablo trocavam beijos e carícias no sofá da sala. As mãos de ambos já tinham ultrapassado as barreiras das roupas. Estavam excitados, extasiados. Talvez por se desejarem, talvez pelo efeito embriagador do vinho. Ali, naquele sofá, ficaram nus e transaram. Logo, Pablo foi embora.

Então, após essa noite prazerosa, vieram outras noites. Os dois eram vizinhos e amantes, apenas isso. Sem conversas, sem promessas. Apenas sexo. Carnal e avassalador. Pablo tinha suas necessidades de homem solteiro e Érica desejava toda noite se deitar com toda a sua adrenalina esgotada. Os dois obtinham o que queriam.

Por isso, naquela noite quente, Érica entrou no apartamento sem trancar a porta. Jogou a bolsa na mesa do canto e retirou o casaco, deixando-o no sofá. No caminho do quarto tirou a blusa. E quando chegou ao banheiro, já estava nua. Vestiu um roupão e preparou a banheira. A campainha soou. Érica já o esperava, então logo mandou entrar. Chamou-o até ela e logo Pablo estava encostado na porta do banheiro. Seu sorriso malicioso condizia com seu olhar devorador, que ia da banheira para ela.

Em um segundo, Pablo arrancava o roupão e a prensava de encontro à parede. Apertava o corpo de Érica com luxúria. Suas mãos contornavam os seios fartos e arrebitados. As pernas de Érica rodearam-no empurrando seu corpo de encontro ao dela, as intimidades se roçando sem pudor. Cansada daquele jogo, Érica arrancou sua blusa fazendo os botões saltarem para todos os lados. Pablo mordeu seus lábios deixando-os vermelhos. Ela era quente, estava a ponto de ebulição, e Pablo sabia muito bem como dar vazão àquela chama.

Após se livrar dos panos, Pablo jogou-se com ela dentro das espumas perfumadas. Érica gargalhou escutando parte d’água cair no chão. Sua risada morreu ao sentir Pablo penetrá-la de uma vez só. Ele era grande, preenchia-a de maneira completa. Fazia sentir-se pequena diante daquela potência. Ela afundava suas unhas em suas costas, marcando-as. Seus olhos se fechavam em profundo deleite.

Pablo penetrava-a sem descanso. Queria aquilo, queria ela. A água fazia uma balbúrdia estranhamente excitante a cada movimento. Seus lábios chupavam e seus dentes mordiam seu pescoço. Tantos lugares acessíveis para Pablo tocar, morder, chupar e degustar, que se tornava impossível aproveitar tudo. Enquanto aumentava tanto o ritmo quanto a força daquela união, sentia o clímax dela aproximar trazendo o seu juntamente.

Os dois gritaram extasiados. Afundaram-se naquela água, as sensações perdidas em um rio sem medida. Eles eram condenadamente bons juntos. Pablo sabia disso. Érica desconfiava. Pablo era tímido demais para propor algo mais sério. Érica era desligada demais para notar que queria algo mais sério. Então os sentimentos foram ficando entorpecidos assim como seus músculos. E as declarações foram deixadas para outra hora. Pablo estava saciado. Érica exausta. O ar condicionado deixou a noite fria, e, com o corredor e duas portas fechadas os separando, Érica e Pablo adormecem, dando fim a mais um dia.

sábado, 24 de abril de 2010

Perfil Desprezado.



"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam odio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser pertubador, é preciso que nossos anjos e demonios sejam despertados, e com eles sua raiva, orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um musculo, o que nao faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."
(Martha Medeiros)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

101 coisas em 1001 dias.


Antes que eu comece esse post, eu gostaria de deixar muito claro a enorme preguiça de fazê-lo e, principalmente, de cumpri-lo. Agora sim, eu posso começar.

Há dois dias, certa pessoa veio me falar da lista de “101 coisas em 1001 dias” e eu, curiosa nata, obviamente perguntei o que era essa lista. O que eu não esperava era que ela fosse uma lista de metas, as quais a pessoa que a fez deveria cumprir em determinado tempo. E apesar de toda a preguiça do mundo, pensei sobre esse assunto. Mas quanto mais eu pensava mais vinha em minha cabeça aquele filme Um Amor Pra Recordar.

Deixando claro outra coisa: Eu não me lembrei desse filme porque é romântico, pois, confie em mim, se tem uma coisa que eu não sou é ser romântica a esse ponto.

Como dizia, a lista me lembrou ao filme. A protagonista tinha essa lista – não era de 101 coisas, pelo menos não que eu lembre – das coisas que ela desejava fazer. Mas quase não pode as fazer pelo fato de – espero que isso não seja um spoiler para ninguém – estar doente e com escasso tempo de vida. Em meio a minha reflexão, eu me imaginei em semelhante situação. Claro que a opção de um carinha lindo aparecer e realizar todos os meus desejos não existia. Ou talvez pode até existir, mas como já informei antes, não sou tão romântica assim. Ou seja, decidi que mesmo que não cumpra as 101 coisas em 1001 dias eu iria fazer a lista como um passo para a realização de meus desejos e sonhos. Pois nunca saberei se no dia de amanhã eu terei o tempo de tomar essa atitude.

Assim que, apesar de toda a preguiça, aqui vai minha lista. Mesmo que amanhã eu já possa ter mudado de sonho, já não queira mais fazer tal coisa. Vou dar a chance e tentar não perder a oportunidade.

Início: 16 de abril de 2010.
Termino: 11 de janeiro de 2013 – mas se o mundo acabar em 2012, me dê um desconto, ok?

- Crescimento pessoal e profissional.
01 – Arrumar um estágio.
02 – Colocar Inglês e Espanhol avançados no meu CV – após o certificado.
03 – Terminar minha graduação em Administração.
04 – Fazer uma pós-graduação em Marketing.
05 – Fazer outra graduação – uma que me agrade.
06 – Passar num concurso.
07 – Tirar carteira de motorista.
08 – Fazer um curso de Design.
09 – Fazer um curso de Office.
10 – Fazer um curso de Oratória.
11 – Publicar um livro.

- Saúde, Corpo, Mente e Vaidade.
12 - Perder o peso necessário.
13 - Fazer um tratamento para asma que funcione.
14 - Fazer uma limpeza de pele.
15 - Cortar meu cabelo curto.
16 - Parar de roer as unhas.
17 – Parar de beber Coca-cola.
18 – Fazer um check-up.
19 – Cuidar da minha postura.
20 – Ser menos nervosa.
21 – Usar mais brincos.
22 – Perder o trauma de agulhas.
23 – Usar mais chinelo dentro de casa.

- Relacionamentos: Família, Amigos, Namorados, Pets.
24 - Ter minha família unida nem que seja por um dia.
25 - Visitar meus avôs toda semana.
26 - Ser madrinha do casamento do meu irmão Diego.
27 - Ser madrinha do casamento do meu irmão David.
28 - Ter uma paixão platônica.
29 - Cuidar dos meus dogs todos os dias.
30 - Falar com a Marhy todos os dias.
31 - Rever a Pam.
32 - Rever a Lila.
33 - Conhecer a Nanda.
34 - Conhecer a Ana.
35 - Dizer para as pessoas especiais que as amo.
36 - Voltar a amar.
37 - Fazer mais um amigo.
38 – Namorar.
39 – Almoçar uma vez por semana com meus pais e meus irmãos.

- Hobbies.
40 – Aprimorar minhas técnicas de desenho.
41 – Ler uma boa quantidade de livros.
42 – Assistir todas as temporadas de Supernatural.
43 - Ir ao cinema uma vez por mês.
44 – Assistir Buffy, A Caça-Vampiros de novo.
45 – Aprimorar minhas montagens e efeitos.

- Comprar (ou ganhar).
46 - Vários livros.
47 - Vários DVD’s virgens.
48 - Um iPod.
49 - Um carro.
50 - Algumas roupas.
51- A coletânea dos Beatles.
52 - Um travesseiro daqueles longos.
53 - Uma TV LCD.
54 - Um estojo.
55 - Uma almofada de massagem.

- Viagem, Lazer e Cultura.
56 - Viajar pela Europa.
57 - Presenciar a Troca da Guarda em Londres.
58 - Ir à Palestina.
59 - Voltar ao Rio de Janeiro, sem pressa e correria, e realizar todos os planos com a Pam e a Lila.
60 - Voltar ao Rio de Janeiro com a Marhy e ir num baile funk, de mini saia e sem calcinha.
61 - Ir a shows, internacional ou nacional, de bandas que eu goste.
62 - Assistir uma peça de teatro.
63 - Ir a Belo Horizonte com Diego e Vanessa.
64 - Ir a Olinda com minhas amigas.
65 - Conhecer a casa de alguém.
66 - Ir a todos os shows de Teatro Mágico em Recife, a não ser que tenha algo urgente.
67 – Jogar Boliche.
68 – Assistir Bones sempre que sair um episódio.
69 – Ver o último episódio de Life Unexpected e não tentar matar a Cate.
70 – Ir ao parque de diversões.

- Culinária e Gastronomia.
71 - Aprender a cozinhar que nem a minha avó.
72 - Aprender a cozinhar.
73 - Experimentar comidas diferentes, nem que seja apenas uma.
74 - Aprender a comer cebola.
75 - Deixar de ser chocólatra.
76 - Não ficar enjoada com o cheiro do vinho.
77 - Fazer um twix gigante.

- Limpeza e Organização.
78 - Formatar meu computador.
79 - Gravar todas as minhas séries.
80 - Organizar meus CD’s.
81 - Lavar minhas roupas.
82 - Me desfazer dos livros de escola.
83 - Arrumar minha cama todos os dias.

- Blogs, Sites, Internet e Afins.
84 - Terminar de baixar ER.
85 - Parar de baixar tantas séries.
86 - Viciar a Marhy em novas séries.
87 - Excluir o Orkut.
88 - Postar uma vez por mês no meu Blog.

- Boas ações.
89 - Doar alimentos e brinquedos ao Hospital do Câncer.
90 - Ajudar alguém necessitado.
91 - Ser legal com uma criança.
92 - Obrigar a Nanda a terminar a Um Sonho.

- Outros.
93 - Enviar os livros da Lila.
94 - Enviar os DVD’s da Pam, da Nanda e da Ana.
95 - Terminar de escrever a história da Lila.
96 - Levar a sério meus retiros estudantis.
97 - Parar de sonhar acordada.
98 - Fazer uma lista de todos os filmes que já vi.
99 - Caminhar mais vezes na praia.
100 - Ser menos barraqueira.

- Final.
101 - Não fazer outra lista dessas quando os 1001 dias acabarem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Gabriela, e os seus atos.

Gabriela, primeiro ato.

Gabriela teve a certeza que havia encontrado o que lhe faltava, ao vê-lo pela primeira vez. Sua boca tentou encontrar palavras para se expressar, mas os braços de Bernardo foram mais velozes, envolvendo-a contra o seu corpo esguio, porém aconchegante. Gabriela permaneceu envolvida nele por mais tempo do que um abraço convencional. Aos poucos, os dois foram se libertando um do outro, mesmo com a vontade de permanecerem conectados para sempre. Os olhos castanhos de Bernardo cintilavam mistério, e ao mesmo tempo certeza. Certeza esta que, por sua vez, desvendava todos os seus mistérios, transformando-os em ternura e pureza. Gabriela já não conseguia evitar o seu olhar de encontro ao dele. Era uma espécie de força magnética que os atraíam. Seu olhar, seus braços, sua boca, sua pele... Tudo nela gritava por ele. Já não tinha domínio nenhum sobre si mesma.Confusa com seus sentimentos, tentou obedecer a voz que sussurrava em sua mente, ignorando os gritos ensurdecedores de seu coração. Fugiu de sua própria vontade, deixando pra trás o trevo de quatro folhas que o vento soprara para o seu quintal.

A semana passou se arrastando, cheia de inquietação e dúvidas. Cansada da estagnação dos seus sentimentos, Gabriela resolveu finalmente dar uma chance para si mesma. Abriu a sua porta, e partiu ao encontro do homem de sua vida.Uma banda já estava posicionada no palco, iniciando sua apresentação. Gabriela passou rapidamente os olhos pelo ambiente, na esperança de encontrar Bernardo sozinho. Eis que surge ele, encostado numa caixa de som posicionada por trás do palco, com os olhos fixos nela. O clima era de flerte. Os dois se desejaram a tarde inteira, intensificando a vontade que sentiam um pelo outro. Ao cair a noite, Bernardo resolve romper a barreira que os separavam. Se aproximou, a cumprimentou com um sorriso amarelo, alisou os fios de cabelo de seu amor, e por fim, a beijou.

As pessoas presentes naquele salão perderam as vozes. A música dos Strokes que tocava ao fundo, perdeu o som. Gabriela e Bernardo foram embalados pelo som de seus corações. Batidas eufóricas, que iam entrando no mesmo compasso, em verdadeira sintonia.
[por Marhyana Lemos]

Gabriela, último ato.

Era uma das raras noites frescas de verão. Gabriela sentia-se desolada. Talvez porque o amor desenfreado com Bernardo não passasse de uma ilusão. Ou porque a paixão pulsante que corroia as veias era apenas um efeito da adrenalina. Pelo menos, da parte de Bernardo.

Enfrentando o fim de uma adolescência repleta de dramas, confusões e coisas inusitadas, Gabriela se viu sendo abandonada por Bernardo. E isso a machucava mais do que Gabriela deixava transparecer. Aquele deslumbramento no show de uma sábado qualquer se transformou em amor. E dos mais puros.
Então Gabriela chorava e agonizava em dor por dentro, enquanto por fora a máscara estava a postos. Seu amor havia encontrado o seu próprio amor. Mas não era ela. Gabriela, assim, caiu em outros braços. Braços errados. Pensava que não haveria problemas em se abandonar neles, já que os certos estavam ocupados.

O tempo passou...

Era uma noite qualquer de uma estação qualquer, quando Gabriela percebeu que estava cansada de errar. Ela queria um amor verdadeiro. Porém, como? O que mais Gabriela ansiava não podia ser alcançado. Pois seu coração ainda batia audível por Bernardo. Sua mente ainda se fixava em suas lembranças românticas. E seu olhar se perdia sempre visualizando aquele beijo tão esperado e desejado. O beijo apaixonante que fazia seu estômago dar voltas.

E ela se transportava para aquela noite, naquele show. Sentia os braços de Bernardo lhe rodearem e apertarem. A magia acontecia sendo embalada pelo som dos Strokes. Gabriela piscava uma e duas vezes. A imagem sumia como num sonho. E ela só conseguia murmurar: ‘Bernardo’! Gabriela se lembraria desse amor para sempre. E Bernardo jamais se esqueceria daquela menina vibrante e apaixonante, independente de quantas terceiras houvesse. Aquele minuto, aquele beijo, aquela canção, aquele amor... Seriam inesquecíveis.

Gabriela, o futuro ato.

Saber que estava preste a morrer era desesperador, aterrorizador. Os sentimentos em ebulição, o suor saindo nervoso pelos poros. Os lábios trêmulos, as mãos inquietas. O suspiro longo, o olhar perdido. Na verdade, tudo estava perdido em sua vida. Não havia mais sentido certo, os pensamentos eram desconexos e as batidas descompassadas. Tudo estava perdido para Gabriela.

O abandono a cada minuto se tornava mais e mais real. A vida escapava-lhe entre os dedos frios. Estava sozinha novamente. Sem motivos ou objetivos a alcançar. Só enxergava a longa estrada empoeirada de terra a sua frente, sem estimulá-la a percorrer sua sina de nuvens negras. Gabriela não conseguia acreditar que há tão pouco tempo ela sentia-se exultante, excitada. Tinha não apenas esperanças, mas sim a certeza de que reencontrara aquele trevo de quatro folhas.

Todavia ele voara alto demais para ser capturado. Escapara novamente do seu campo de visão. Fugira para o destino oposto e controverso ao seu. Correra pela segunda vez para outros braços, deixando-a desamparada. Gabriela, que fez de tudo para consegui-lo. Utilizou da influente sensualidade, do poderoso charme, da carismática conversa e da inquietante paciência. E, então, nada.

Gabriela estava preste a morrer de desilusão quando queria morrer de amor. De amor por Bernardo. Outro Bernardo. Mais maduro e consciente. Tão semelhante, mas ao mesmo tempo tão distinto. Um Bernardo que a fez ser outra Gabriela. Menos impulsiva mais acanhada. Agir com a mente e não com os gestos. Um Bernardo que a adoçou com a memória do gosto de um doce beijo impregnado em seu paladar; que a deixou com o coração jubiloso na mão palpitando no cair da noite, apenas para lhe arrancar e destroçar pela manhã. Um Bernardo que iria sempre se lembrar daquela mulher que deixara de ser a menina vibrante por ensejo dele, mas que não a apreciaria.

Pois, no arremate, Gabriela entenderia que aquele quadrifólio não era para lhe pertencer naquele preciso momento. Ela compreenderia que seu destino não era voar a espera do reencontro das libélulas e sim ir à busca de uma nova sorte. Abrir asas na direção de um novo amor e este seria recíproco, verdadeiro. Seria como Bernardo – marcado dentro de si -, entretanto seria totalmente discrepante do passado. O novo amor, aquela nova libélula descoberta seria sua, presa por livre espontaneidade em seus braços. Os braços certos. E, dessa vez, foi Gabriela quem abandonou Bernardo. Deixou-o morrer e, sobrevivendo, correu em direção à vida. À bem-aventurada vida!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pequenas confissões, grandes sonhos...


Isso pode parecer meloso, mas eu só queria dizer que amo você. Pode parecer clichê, mas eu adoro olhar para você. Sentir seus braços me acalentarem é alegria; tua boca na minha é paixao; teu corpo no meu é emoção; tua metade e a minha são almas gêmeas. Quando juntos o mundo é o paraíso. Se você pula e eu pulo ao mesmo tempo, estaremos escritos nas estrelas.


Nós somos Elizabeth e Darcy, Booth e Brennan, Mônica e Chandler, Romeu e Julieta, Allie e Noah, Jamie e Landon, Tristão e Isolda, Buffy e Angel, Aragorn e Arwen, Rose e Jack, e, por que não, Lampião e Maria Bonita.

És meu homem perfeito, meu principe encantado. Meu melhor amigo, meu namorado. Meu noivo, meu esposo. Meu amante, meu amado. Meu sonho.

Pena que quando acordo, eu não te encontro ao meu lado; a minha espera ou, ao menos, na minha realidade. Então, vou dormir mais cinco minutinhos, só para te ter mais um pouquinho.