quarta-feira, 28 de abril de 2010

Rio sem medida.

A noite estava quente. Bastante quente na concepção de Érica, que estava abrindo a porta de seu apartamento. O dia fora cansativo demais. Doenças, cortes de faca, balas alojadas em alguns órgãos do corpo humano. Os dias de plantões eram sempre tumultuados, mas, quando dava a hora, Érica trocava de roupa e voltava para casa, a adrenalina e a energia ainda corriam por dentro. Queria mais, queria ficar esgotada até cair pesada na cama e apagar sem sentir mais nada. E era aí que Pablo entrava na história.

Pablo. O adorável e tímido vizinho de Érica. Que sempre vestia terno e gravata. Que trabalhava para uma multinacional milionária. Que nunca lhe dirigira mais do que um ‘oi’. Que era politicamente correto. Até um mês atrás, quando ela escorregara e torcera a perna. O grito de Érica acordou-o em um susto. E nada mais restou a ele do que ir socorrê-la. Não foi uma cena muito gloriosa para Érica. Sentada no chão, chorando de dor e vestida apenas de calcinha e blusão. Se ao menos a calcinha não fosse de vovó e o blusão não fosse do Mickey e sujo de molho, ela poderia ter salvado algo. Érica tinha certeza de que as chances haviam se evaporado.

No dia seguinte, quando Érica se esforçava para achar as chaves de casa perdidas na imensidão de sua bolsa, Pablo saiu do elevador. Ele pensou em simplesmente dar o monótono ‘oi’ e entrar, mas ao vê-la tão atrapalhada em uma tarefa tão prática, sorriu. Não era novidade para si que se sentia atraído por ela desde que se mudara. Ela era linda e absurdamente sedutora com suas calças apertadas e seus blusões alguns bons números maiores. Ou, o contrário, calças bastante parecidas como as do Aladim e blusas modeladas ao seu corpo.

Pablo simplesmente lhe perguntou se precisava de ajuda. Érica negou-lhe, dizendo que não queria abusar muito. Pablo foi insistente e lhe concedeu uma mão a mais na busca das chaves perdidas. Érica lhe sorriu encantadoramente. Pablo encontrou as chaves. Érica convidou-lhe a entrar. Foi a vez de Pablo não querer abusar. Então Érica se tornou a insistente. Os dois entraram e se sentiram constrangidos, mas não por muito tempo.

Após uma pizza apimentada, um bom vinho do porto, algumas risadas e cantadas, Érica e Pablo trocavam beijos e carícias no sofá da sala. As mãos de ambos já tinham ultrapassado as barreiras das roupas. Estavam excitados, extasiados. Talvez por se desejarem, talvez pelo efeito embriagador do vinho. Ali, naquele sofá, ficaram nus e transaram. Logo, Pablo foi embora.

Então, após essa noite prazerosa, vieram outras noites. Os dois eram vizinhos e amantes, apenas isso. Sem conversas, sem promessas. Apenas sexo. Carnal e avassalador. Pablo tinha suas necessidades de homem solteiro e Érica desejava toda noite se deitar com toda a sua adrenalina esgotada. Os dois obtinham o que queriam.

Por isso, naquela noite quente, Érica entrou no apartamento sem trancar a porta. Jogou a bolsa na mesa do canto e retirou o casaco, deixando-o no sofá. No caminho do quarto tirou a blusa. E quando chegou ao banheiro, já estava nua. Vestiu um roupão e preparou a banheira. A campainha soou. Érica já o esperava, então logo mandou entrar. Chamou-o até ela e logo Pablo estava encostado na porta do banheiro. Seu sorriso malicioso condizia com seu olhar devorador, que ia da banheira para ela.

Em um segundo, Pablo arrancava o roupão e a prensava de encontro à parede. Apertava o corpo de Érica com luxúria. Suas mãos contornavam os seios fartos e arrebitados. As pernas de Érica rodearam-no empurrando seu corpo de encontro ao dela, as intimidades se roçando sem pudor. Cansada daquele jogo, Érica arrancou sua blusa fazendo os botões saltarem para todos os lados. Pablo mordeu seus lábios deixando-os vermelhos. Ela era quente, estava a ponto de ebulição, e Pablo sabia muito bem como dar vazão àquela chama.

Após se livrar dos panos, Pablo jogou-se com ela dentro das espumas perfumadas. Érica gargalhou escutando parte d’água cair no chão. Sua risada morreu ao sentir Pablo penetrá-la de uma vez só. Ele era grande, preenchia-a de maneira completa. Fazia sentir-se pequena diante daquela potência. Ela afundava suas unhas em suas costas, marcando-as. Seus olhos se fechavam em profundo deleite.

Pablo penetrava-a sem descanso. Queria aquilo, queria ela. A água fazia uma balbúrdia estranhamente excitante a cada movimento. Seus lábios chupavam e seus dentes mordiam seu pescoço. Tantos lugares acessíveis para Pablo tocar, morder, chupar e degustar, que se tornava impossível aproveitar tudo. Enquanto aumentava tanto o ritmo quanto a força daquela união, sentia o clímax dela aproximar trazendo o seu juntamente.

Os dois gritaram extasiados. Afundaram-se naquela água, as sensações perdidas em um rio sem medida. Eles eram condenadamente bons juntos. Pablo sabia disso. Érica desconfiava. Pablo era tímido demais para propor algo mais sério. Érica era desligada demais para notar que queria algo mais sério. Então os sentimentos foram ficando entorpecidos assim como seus músculos. E as declarações foram deixadas para outra hora. Pablo estava saciado. Érica exausta. O ar condicionado deixou a noite fria, e, com o corredor e duas portas fechadas os separando, Érica e Pablo adormecem, dando fim a mais um dia.

sábado, 24 de abril de 2010

Perfil Desprezado.



"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam odio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser pertubador, é preciso que nossos anjos e demonios sejam despertados, e com eles sua raiva, orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um musculo, o que nao faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."
(Martha Medeiros)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

101 coisas em 1001 dias.


Antes que eu comece esse post, eu gostaria de deixar muito claro a enorme preguiça de fazê-lo e, principalmente, de cumpri-lo. Agora sim, eu posso começar.

Há dois dias, certa pessoa veio me falar da lista de “101 coisas em 1001 dias” e eu, curiosa nata, obviamente perguntei o que era essa lista. O que eu não esperava era que ela fosse uma lista de metas, as quais a pessoa que a fez deveria cumprir em determinado tempo. E apesar de toda a preguiça do mundo, pensei sobre esse assunto. Mas quanto mais eu pensava mais vinha em minha cabeça aquele filme Um Amor Pra Recordar.

Deixando claro outra coisa: Eu não me lembrei desse filme porque é romântico, pois, confie em mim, se tem uma coisa que eu não sou é ser romântica a esse ponto.

Como dizia, a lista me lembrou ao filme. A protagonista tinha essa lista – não era de 101 coisas, pelo menos não que eu lembre – das coisas que ela desejava fazer. Mas quase não pode as fazer pelo fato de – espero que isso não seja um spoiler para ninguém – estar doente e com escasso tempo de vida. Em meio a minha reflexão, eu me imaginei em semelhante situação. Claro que a opção de um carinha lindo aparecer e realizar todos os meus desejos não existia. Ou talvez pode até existir, mas como já informei antes, não sou tão romântica assim. Ou seja, decidi que mesmo que não cumpra as 101 coisas em 1001 dias eu iria fazer a lista como um passo para a realização de meus desejos e sonhos. Pois nunca saberei se no dia de amanhã eu terei o tempo de tomar essa atitude.

Assim que, apesar de toda a preguiça, aqui vai minha lista. Mesmo que amanhã eu já possa ter mudado de sonho, já não queira mais fazer tal coisa. Vou dar a chance e tentar não perder a oportunidade.

Início: 16 de abril de 2010.
Termino: 11 de janeiro de 2013 – mas se o mundo acabar em 2012, me dê um desconto, ok?

- Crescimento pessoal e profissional.
01 – Arrumar um estágio.
02 – Colocar Inglês e Espanhol avançados no meu CV – após o certificado.
03 – Terminar minha graduação em Administração.
04 – Fazer uma pós-graduação em Marketing.
05 – Fazer outra graduação – uma que me agrade.
06 – Passar num concurso.
07 – Tirar carteira de motorista.
08 – Fazer um curso de Design.
09 – Fazer um curso de Office.
10 – Fazer um curso de Oratória.
11 – Publicar um livro.

- Saúde, Corpo, Mente e Vaidade.
12 - Perder o peso necessário.
13 - Fazer um tratamento para asma que funcione.
14 - Fazer uma limpeza de pele.
15 - Cortar meu cabelo curto.
16 - Parar de roer as unhas.
17 – Parar de beber Coca-cola.
18 – Fazer um check-up.
19 – Cuidar da minha postura.
20 – Ser menos nervosa.
21 – Usar mais brincos.
22 – Perder o trauma de agulhas.
23 – Usar mais chinelo dentro de casa.

- Relacionamentos: Família, Amigos, Namorados, Pets.
24 - Ter minha família unida nem que seja por um dia.
25 - Visitar meus avôs toda semana.
26 - Ser madrinha do casamento do meu irmão Diego.
27 - Ser madrinha do casamento do meu irmão David.
28 - Ter uma paixão platônica.
29 - Cuidar dos meus dogs todos os dias.
30 - Falar com a Marhy todos os dias.
31 - Rever a Pam.
32 - Rever a Lila.
33 - Conhecer a Nanda.
34 - Conhecer a Ana.
35 - Dizer para as pessoas especiais que as amo.
36 - Voltar a amar.
37 - Fazer mais um amigo.
38 – Namorar.
39 – Almoçar uma vez por semana com meus pais e meus irmãos.

- Hobbies.
40 – Aprimorar minhas técnicas de desenho.
41 – Ler uma boa quantidade de livros.
42 – Assistir todas as temporadas de Supernatural.
43 - Ir ao cinema uma vez por mês.
44 – Assistir Buffy, A Caça-Vampiros de novo.
45 – Aprimorar minhas montagens e efeitos.

- Comprar (ou ganhar).
46 - Vários livros.
47 - Vários DVD’s virgens.
48 - Um iPod.
49 - Um carro.
50 - Algumas roupas.
51- A coletânea dos Beatles.
52 - Um travesseiro daqueles longos.
53 - Uma TV LCD.
54 - Um estojo.
55 - Uma almofada de massagem.

- Viagem, Lazer e Cultura.
56 - Viajar pela Europa.
57 - Presenciar a Troca da Guarda em Londres.
58 - Ir à Palestina.
59 - Voltar ao Rio de Janeiro, sem pressa e correria, e realizar todos os planos com a Pam e a Lila.
60 - Voltar ao Rio de Janeiro com a Marhy e ir num baile funk, de mini saia e sem calcinha.
61 - Ir a shows, internacional ou nacional, de bandas que eu goste.
62 - Assistir uma peça de teatro.
63 - Ir a Belo Horizonte com Diego e Vanessa.
64 - Ir a Olinda com minhas amigas.
65 - Conhecer a casa de alguém.
66 - Ir a todos os shows de Teatro Mágico em Recife, a não ser que tenha algo urgente.
67 – Jogar Boliche.
68 – Assistir Bones sempre que sair um episódio.
69 – Ver o último episódio de Life Unexpected e não tentar matar a Cate.
70 – Ir ao parque de diversões.

- Culinária e Gastronomia.
71 - Aprender a cozinhar que nem a minha avó.
72 - Aprender a cozinhar.
73 - Experimentar comidas diferentes, nem que seja apenas uma.
74 - Aprender a comer cebola.
75 - Deixar de ser chocólatra.
76 - Não ficar enjoada com o cheiro do vinho.
77 - Fazer um twix gigante.

- Limpeza e Organização.
78 - Formatar meu computador.
79 - Gravar todas as minhas séries.
80 - Organizar meus CD’s.
81 - Lavar minhas roupas.
82 - Me desfazer dos livros de escola.
83 - Arrumar minha cama todos os dias.

- Blogs, Sites, Internet e Afins.
84 - Terminar de baixar ER.
85 - Parar de baixar tantas séries.
86 - Viciar a Marhy em novas séries.
87 - Excluir o Orkut.
88 - Postar uma vez por mês no meu Blog.

- Boas ações.
89 - Doar alimentos e brinquedos ao Hospital do Câncer.
90 - Ajudar alguém necessitado.
91 - Ser legal com uma criança.
92 - Obrigar a Nanda a terminar a Um Sonho.

- Outros.
93 - Enviar os livros da Lila.
94 - Enviar os DVD’s da Pam, da Nanda e da Ana.
95 - Terminar de escrever a história da Lila.
96 - Levar a sério meus retiros estudantis.
97 - Parar de sonhar acordada.
98 - Fazer uma lista de todos os filmes que já vi.
99 - Caminhar mais vezes na praia.
100 - Ser menos barraqueira.

- Final.
101 - Não fazer outra lista dessas quando os 1001 dias acabarem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Gabriela, e os seus atos.

Gabriela, primeiro ato.

Gabriela teve a certeza que havia encontrado o que lhe faltava, ao vê-lo pela primeira vez. Sua boca tentou encontrar palavras para se expressar, mas os braços de Bernardo foram mais velozes, envolvendo-a contra o seu corpo esguio, porém aconchegante. Gabriela permaneceu envolvida nele por mais tempo do que um abraço convencional. Aos poucos, os dois foram se libertando um do outro, mesmo com a vontade de permanecerem conectados para sempre. Os olhos castanhos de Bernardo cintilavam mistério, e ao mesmo tempo certeza. Certeza esta que, por sua vez, desvendava todos os seus mistérios, transformando-os em ternura e pureza. Gabriela já não conseguia evitar o seu olhar de encontro ao dele. Era uma espécie de força magnética que os atraíam. Seu olhar, seus braços, sua boca, sua pele... Tudo nela gritava por ele. Já não tinha domínio nenhum sobre si mesma.Confusa com seus sentimentos, tentou obedecer a voz que sussurrava em sua mente, ignorando os gritos ensurdecedores de seu coração. Fugiu de sua própria vontade, deixando pra trás o trevo de quatro folhas que o vento soprara para o seu quintal.

A semana passou se arrastando, cheia de inquietação e dúvidas. Cansada da estagnação dos seus sentimentos, Gabriela resolveu finalmente dar uma chance para si mesma. Abriu a sua porta, e partiu ao encontro do homem de sua vida.Uma banda já estava posicionada no palco, iniciando sua apresentação. Gabriela passou rapidamente os olhos pelo ambiente, na esperança de encontrar Bernardo sozinho. Eis que surge ele, encostado numa caixa de som posicionada por trás do palco, com os olhos fixos nela. O clima era de flerte. Os dois se desejaram a tarde inteira, intensificando a vontade que sentiam um pelo outro. Ao cair a noite, Bernardo resolve romper a barreira que os separavam. Se aproximou, a cumprimentou com um sorriso amarelo, alisou os fios de cabelo de seu amor, e por fim, a beijou.

As pessoas presentes naquele salão perderam as vozes. A música dos Strokes que tocava ao fundo, perdeu o som. Gabriela e Bernardo foram embalados pelo som de seus corações. Batidas eufóricas, que iam entrando no mesmo compasso, em verdadeira sintonia.
[por Marhyana Lemos]

Gabriela, último ato.

Era uma das raras noites frescas de verão. Gabriela sentia-se desolada. Talvez porque o amor desenfreado com Bernardo não passasse de uma ilusão. Ou porque a paixão pulsante que corroia as veias era apenas um efeito da adrenalina. Pelo menos, da parte de Bernardo.

Enfrentando o fim de uma adolescência repleta de dramas, confusões e coisas inusitadas, Gabriela se viu sendo abandonada por Bernardo. E isso a machucava mais do que Gabriela deixava transparecer. Aquele deslumbramento no show de uma sábado qualquer se transformou em amor. E dos mais puros.
Então Gabriela chorava e agonizava em dor por dentro, enquanto por fora a máscara estava a postos. Seu amor havia encontrado o seu próprio amor. Mas não era ela. Gabriela, assim, caiu em outros braços. Braços errados. Pensava que não haveria problemas em se abandonar neles, já que os certos estavam ocupados.

O tempo passou...

Era uma noite qualquer de uma estação qualquer, quando Gabriela percebeu que estava cansada de errar. Ela queria um amor verdadeiro. Porém, como? O que mais Gabriela ansiava não podia ser alcançado. Pois seu coração ainda batia audível por Bernardo. Sua mente ainda se fixava em suas lembranças românticas. E seu olhar se perdia sempre visualizando aquele beijo tão esperado e desejado. O beijo apaixonante que fazia seu estômago dar voltas.

E ela se transportava para aquela noite, naquele show. Sentia os braços de Bernardo lhe rodearem e apertarem. A magia acontecia sendo embalada pelo som dos Strokes. Gabriela piscava uma e duas vezes. A imagem sumia como num sonho. E ela só conseguia murmurar: ‘Bernardo’! Gabriela se lembraria desse amor para sempre. E Bernardo jamais se esqueceria daquela menina vibrante e apaixonante, independente de quantas terceiras houvesse. Aquele minuto, aquele beijo, aquela canção, aquele amor... Seriam inesquecíveis.

Gabriela, o futuro ato.

Saber que estava preste a morrer era desesperador, aterrorizador. Os sentimentos em ebulição, o suor saindo nervoso pelos poros. Os lábios trêmulos, as mãos inquietas. O suspiro longo, o olhar perdido. Na verdade, tudo estava perdido em sua vida. Não havia mais sentido certo, os pensamentos eram desconexos e as batidas descompassadas. Tudo estava perdido para Gabriela.

O abandono a cada minuto se tornava mais e mais real. A vida escapava-lhe entre os dedos frios. Estava sozinha novamente. Sem motivos ou objetivos a alcançar. Só enxergava a longa estrada empoeirada de terra a sua frente, sem estimulá-la a percorrer sua sina de nuvens negras. Gabriela não conseguia acreditar que há tão pouco tempo ela sentia-se exultante, excitada. Tinha não apenas esperanças, mas sim a certeza de que reencontrara aquele trevo de quatro folhas.

Todavia ele voara alto demais para ser capturado. Escapara novamente do seu campo de visão. Fugira para o destino oposto e controverso ao seu. Correra pela segunda vez para outros braços, deixando-a desamparada. Gabriela, que fez de tudo para consegui-lo. Utilizou da influente sensualidade, do poderoso charme, da carismática conversa e da inquietante paciência. E, então, nada.

Gabriela estava preste a morrer de desilusão quando queria morrer de amor. De amor por Bernardo. Outro Bernardo. Mais maduro e consciente. Tão semelhante, mas ao mesmo tempo tão distinto. Um Bernardo que a fez ser outra Gabriela. Menos impulsiva mais acanhada. Agir com a mente e não com os gestos. Um Bernardo que a adoçou com a memória do gosto de um doce beijo impregnado em seu paladar; que a deixou com o coração jubiloso na mão palpitando no cair da noite, apenas para lhe arrancar e destroçar pela manhã. Um Bernardo que iria sempre se lembrar daquela mulher que deixara de ser a menina vibrante por ensejo dele, mas que não a apreciaria.

Pois, no arremate, Gabriela entenderia que aquele quadrifólio não era para lhe pertencer naquele preciso momento. Ela compreenderia que seu destino não era voar a espera do reencontro das libélulas e sim ir à busca de uma nova sorte. Abrir asas na direção de um novo amor e este seria recíproco, verdadeiro. Seria como Bernardo – marcado dentro de si -, entretanto seria totalmente discrepante do passado. O novo amor, aquela nova libélula descoberta seria sua, presa por livre espontaneidade em seus braços. Os braços certos. E, dessa vez, foi Gabriela quem abandonou Bernardo. Deixou-o morrer e, sobrevivendo, correu em direção à vida. À bem-aventurada vida!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Pequenas confissões, grandes sonhos...


Isso pode parecer meloso, mas eu só queria dizer que amo você. Pode parecer clichê, mas eu adoro olhar para você. Sentir seus braços me acalentarem é alegria; tua boca na minha é paixao; teu corpo no meu é emoção; tua metade e a minha são almas gêmeas. Quando juntos o mundo é o paraíso. Se você pula e eu pulo ao mesmo tempo, estaremos escritos nas estrelas.


Nós somos Elizabeth e Darcy, Booth e Brennan, Mônica e Chandler, Romeu e Julieta, Allie e Noah, Jamie e Landon, Tristão e Isolda, Buffy e Angel, Aragorn e Arwen, Rose e Jack, e, por que não, Lampião e Maria Bonita.

És meu homem perfeito, meu principe encantado. Meu melhor amigo, meu namorado. Meu noivo, meu esposo. Meu amante, meu amado. Meu sonho.

Pena que quando acordo, eu não te encontro ao meu lado; a minha espera ou, ao menos, na minha realidade. Então, vou dormir mais cinco minutinhos, só para te ter mais um pouquinho.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

De todos os brindes desse ano... UM BRINDE À AMIZADE!

Uma carta quando é escrita com amor e sinceridade perdura para sempre. Ano passado escrevi tudo o que sentia e desejava compartilhar com a melhor amiga que podia ter. As palavras, que seguem abaixo, são parte da história desse ano:

Minha cara amiga,
nosso último ano finalmente está terminando; o último ano onde tantas coisas mudaram e outras tantas foram conquistadas. Momentos que foram emocionantes, em todos os sentidos, e outros que torcemos para esquecer vão ficar marcados na história da nossa vida. Às vezes, penso que é por estarmos ficando mais velhas ou talvez é por que, nessa fase tão importante de amadurecimento, nós temos que aprender a crescer e a encontrar nossos caminhos separadamente, que eu ando pensando no passado. E meu passado foi ao lado seu. Dizem que a vida é um flashback de nossas atitudes e nossas companhias. Assim, narrativas minuciosas de como nos conhecemos e de como nos tornamos 'você e eu' retornam em mim. Lembranças de conversas hilariantes e outras bastante comovedoras; de fatos e fotos, infelizes e felizes; de brincadeiras e choradeiras, amadas e amargas; de brancos e pretos, loiros e morenos; de uma amizade insubstituível. Sabe? Eu posso não ter tido uma infância ou então não lembrá-la, mas você me ajudou a ter uma adolescência; me ajudou a ser alguém e a ter minhas opiniões formadas. Eu sempre fui um ser muito solitário, tanto em amizade quanto em família, contudo alguém especial mudou isso. Por isso, me desculpe se às vezes sou possessiva e ignorante, mas tenho medo de que minha irmã um dia se esqueça de mim e, mais uma vez, eu me torne sozinha. Tiramos piadas de que a música é tua, mas o fato é: será mesmo que é? Você nunca estará sozinha. Marhyana Lemos, você nasceu pra brilhar! Aprendemos muitos, não? Não falo de matérias escolares, mas sim das matérias da vida e do mundo. Nos ensinaram a nunca dependermos de alguém que não nos quer; nos ensinaram a não trocarmos o amor de uma irmandade por um frenesi de momento; nos ensinaram a dar um valor a família que nos apóia e a pormos em desistência aqueles que nos negligenciam. Nós vivenciamos a dor e o amor, nós rimos e choramos... Porque a vida é isso, não há um sentimento sem o outro. E, apesar do que dizem, nós vencemos esse ano. Passamos por ele de cabeça levantada e ombros erguidos. Chegamos à linha da vitória, talvez não com os objetivos iniciais, mas com as escolhas que traçamos ao longo deste período. Agora, 'eu e você', vamos abrir um novo caminho e traçar uma nova sina. Não será apenas mais um ano, será uma nova etapa. E sei que com lados opostos nós não iremos fazer parte do dia-a-dia uma da outra. Todavia sei que todos os meus atos lembrarão as nossas recordações, e conseguiremos manter esse sentimento mais forte que uma amizade para todo o sempre. Pois apesar da minha teoria de sermos um ponto turístico, você sempre será meu guia pelo mundo. Então, parabéns, minha irmã. Você saiu vitoriosa e merecedora num ano difícil. Parabéns por ser assim e nunca se abaixar diante das dificuldades impostas e das pessoas venenosas. Parabéns por tudo. E como já dizia nossa maior mestra, Graça Migliorini: 'Nós não somos o nosso nome, nós somos as nossas ações'. E, apesar de não ser uma despedida, eu torço por você trilhar seu caminho e alcançar sua felicidade. E digo até logo, pois ainda temos planos juntas. Afinal, quem estará ao meu lado quando lançar meu livro e quem tirará a foto que será a capa do mesmo? Quem estará ao teu lado numa exposição tua? Ou até mesmo, independente dos sentimentos atuais, quem será a titia linda dos teus filhos? Quem será tanto na minha e na tua vida? Somos para a eternidade!

Com essas palavras eu terminei o ano de 2008. Com essas palavras segui por esse ano, 2009. E ainda com base nelas, irei ir em frente em 2010. Alguns dizem que o texto é o poder, outros dizem que é a consciência. Todavia, eu digo que isso é a simplicidade de uma amizade. E por isso, esse ano tudo que agradeço é por tê-la mantido e fortalecido. Hoje, colho os frutos que plantei e reguei. Hoje, somos mais amigas do que ontem. É assim que a vida corre. Um dia de cada vez. Sem amor, sem família, sem amigos... O que seria de nós?! Então aqui foi a minha declaração para um bom pedaço da existência de cada um ser humano: A amizade. Tin-tin!

domingo, 1 de novembro de 2009

Culturalizando...



Em raros momentos da vida, as pessoas se dão ao luxo de parar para refletir sobre suas próprias atitudes, seus próprios valores. Dentro de uma sociedade crítica e mesquinha, onde as regras e os esteriótipos impostos prevalecem, é uma condição natural humana deixar no esquecimento o seu verdadeiro papel, sua verdadeira identidade. Parafraseando a divulgação do filme Crash - No Limite: "Você pensa que conhece a si mesmo. Você não faz ideia", mostra-se uma realidade universal.


Um filme que consegue englobar diversos temas polêmicos que atingem a sociedade, como por exemplo, o racismo. Ao lidar com essa situação dentro da problemática do filme, ele demonstra que o racismo tem mais a ver com a falta de conhecimento, não sobre um povo, mas sobre o indivíduo. E de como é fácil depositar a culpabilidade no próximo, seja de outra etnia ou de outra "tribo", por um problema que é exclusivamente seu.

E, ainda sem se prender em um único núcleo, o filme envolve e entrelaça todas as personagens sem utilizar uma protagonista. Passa do racismo para socialização e cultura, onde se vê uma família persa que tenta fixar raízes em um país que os renega. Assim como também abrange sobre o poder abusivo dos policiais.

Com essa percepção sobre a vida da sociedade e os problemas que são enfrentados, dentro e fora de casa, Crash €se torna um excelente filme não apenas por abordar o assunto sobre racismo. Pois o filme acaba funcionando como uma história de redenção para certos personagens, e de destruição de "pedestais" para outras.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

The book is on the table:



Nas suas FÉRIAS,
entre um SUSHI e outro,
você se dá conta de que
apostou na carreira
enquanto todo mundo
está se casando.

Você está feliz?







Nas férias que a pouco acabaram, eu ganhei este interessante presente: Temporada de Casamento. Uma, boa e velha, amiga presentou-me com essa leitura.

Um livro que de início não me apeteceu, pois minha mania de ler o final antes do começo me fez morder a língua. Uma história que pensei ser o mais fútil possível, na verdade se tornou um aprendizado. Mostra o quanto nossas próprias opiniões, cultura e valores são importante para revelar e formar nosso caráter.

O mais é engraçado é que a minha boa amiga, apesar de todos os dramas para fazê-lo, sempre acaba me entregando o presente certo. Torço para que cada um nessa vida tenha um(a) amigo(a) assim. Ou pelo menos aceite uma sugestão e leia Temporada de Casamento:

Baseada em diálogos ágeis e satíricos, essa comédia de costumes moderna retrata os conflitos de uma nova-iorquina bem-sucedida diante da possibilidade de subir ao altar. Joy Silverman já mora com o namorado Gabe, por quem é apaixonada. Mas, por um romantismo às avessas, que a faz ser contra convenções sociais, não quer oficializar a relação. Ter que assistir a 17 casamentos em seis meses intensifica este tema na vida da protagonista e complica a rotina do casal.

Publicado pela editora Nova Fronteira.

domingo, 2 de agosto de 2009

Fim do Recesso.



"Peguei num balão, enchi-o de ar, escrevi uma mensagem: As Férias estão no ar! As Férias são como um balão, voa para aqui voa para acolá até alguém o apanhar quando a escola começar".

Acabou-se o tempo curto que nos dão para arejar a cabeça, pôr em ordem os sentimentos, ajustar as contas com o despertador, renovar a poeira nos livros didáticos, festejar com desconhecidos, madrugar na praia, viajar para o estrangeiro, e fazer inúmeras coisas sem noção na companhia de um ser desprovido de normalidade ou, até mesmo, de seres inanimados.

Amanhã, quando acordar, o dia parecerá nublado e infeliz. Os pés novamente no chão. A angustia e o desespero da incompreensão. O reencontro daqueles que lhe odeiam e daqueles que lhe prezam. As confusões nos corredores. As fofocas nos cantos das salas. Os bilhetinhos pegos pelos professores. Os atrasos e as faltas.

Tudo estará de volta.

domingo, 5 de julho de 2009

Hospício.


INTERNAÇÃO

"Ele entrava em surto e o pai o levava de carro para a clínica ali no Humaitá numa tarde atravessada de brisas e falou (depois de meses trancado no fundo escuro de sua alma) 'pai, o vento no rosto é sonho, sabia?'"
Ferreira Gullar.

Não há nada para escrever, nem para falar sobre a loucura. Ela é diária, é sem razão e de uma enorme proporção. Sem medida. Para quê falar, se o mundo não passa de uma casa de loucos?!